Comentário de Filipe de Oliveira – C\Audio

UM MUNDO AO CONTRÁRIO!

Vivemos num mundo encorpado de anormalidades!

Vivemos num mundo onde alojamentos não permitem a presença de crianças, com menos de 12 anos de idade, mas onde animais de estimação vão poder entrar em restaurantes.

Vivemos num mundo onde a cultura continua a ser desprezada e espezinhada, por quem vai ocupando certos e determinados cargos.

Vivemos num mundo onde a alegria de estar prestes a ser novamente pai não anula tiques ditatoriais e a ira, contra tudo o que mexe. Chamo, como é óbvio, Bruno de Carvalho ao palco. O futebol dentro das quatro linhas não se discute, como tem sido hábito no nosso país, o que interessa é saber se a lombalgia do ainda presidente do Sporting Clube de Portugal irradia para os membros inferiores. Mais do que insólito, isto é ridículo!

Vivemos num mundo onde há quem coloque Lula no mesmo patamar de Mandela, o que é o delírio resultante de tão excitante novela. A vontade de beber caipirinha dispara com tanta emoção. Melhor que isto, só o comentário de um dos nossos antigos primeiros-ministros sobre a detenção de Lula.

Vivemos num mundo onde há quem procure saber o porquê de não terem sido convidados políticos para o casamento do príncipe Harry de Inglaterra com Meghan Markle. Inspirando-me num grande sucesso musical português, anoto: “Feliz de quem, possa dizer / Que tem ainda quem lhe (…)” dê que fazer.

Vivemos num mundo onde a família real espanhola procura disfarçar desentendimentos provocados pelas amêndoas amargas que ingeriram, como aquelas crianças que se abraçam em frente aos pais, depois de um conflito causado por um saco de gomas, mas com o irmão mais velho a pressionar o pé direito no pé esquerdo do irmão mais novo, no momento do abraço. Isto não é linha, é bingo na estupidez!

Vivemos num mundo onde as banalidades são alvo de atenção, e onde o sofrimento humano passa velozmente ao lado.

Vivemos num mundo onde um ataque químico mata famílias, na Síria, e os poucos líderes ferozes que condenam esta monstruosidade são, curiosamente, Trump e Erdogan.

Vivemos num mundo onde lemos notícias com títulos agoniantes, como: “Crianças fazem quimioterapia no corredor do Hospital de São João”.

Vivemos num mundo estúpido! Vamos seguir John Williams, que, no livro Stoner, procurou elevar a personagem principal, “(…) embora por vezes sentisse que era em vão que vergava as costas contra a tempestade fustigante e punha as mãos futilmente em concha para proteger o tremeluzir ténue do seu derradeiro fósforo”.