(Audio) Comentário de Filipe de Oliveira | “Democracia em perigo… No “País irmão”

À semelhança do que vai acontecendo, em vários pontos do globo, o descrédito da população com políticos é tal que ajuda no crescimento da onda populista.

No Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, aconteceram casos de corrupção, ao longo de vários anos, o que levou a um enorme desgaste dos partidos tradicionais. Os eleitores estão cansados de quem os tem governado!

Jair Bolsonaro (Capitão do Exército, na reserva) já há muito que ansiava a sua oportunidade. Começou a esfregar as mãos de contente em 2014: arrancou a Operação Lava Jato (que investiga o enorme escândalo de corrupção, tendo envolvido 14 partidos). Também o impeachment, de Dilma Rousseff, e a detenção de Lula foram vitaminas para o fortalecimento do seu populismo.

No meio deste pântano, pode-se safar quem for outsider. Bolsonaro deve ter pensado: “É o momento certo! Chegou a minha vez!”. Resultado: vence a primeira volta das eleições presidenciais do Brasil, com 46,03% dos votos. No discurso após este resultado, continuou a bater na mesma tecla: “Mergulhámos na mais profunda crise ética, moral e económica. Nunca visto. O nosso país está à beira do caos.”

O candidato de extrema-direita, do Partido Social Liberal (PSL), foi andando aos tropeções (estando para a economia como eu estou para a astrologia), e acabou por ser favorecido quando menos esperava, uma vez que foi alvo de um atentado e a sua fragilidade sensibilizou os eleitores.

Algo surpreendente é a amnésia presente. Como se podem esquecer de tantas afirmações racistas, homofóbicas e asquerosas de Bolsonaro? Não esqueço, por exemplo, o que ele disse em 2015: “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida.”

Mais, Bolsonaro defende a ditadura militar! Bolsonaro defende a tortura! A democracia pode correr sérios riscos no país de Machado de Assis. Registem a afirmação de Fernando Bizzarro, investigador na Universidade de Harvard: “Bolsonaro é mais perigoso do que Trump.”

Sem o carisma do seu adversário, Fernando Haddad rema contra a maré. É verdade que o Partido dos Trabalhadores (PT) está moribundo e, como Lula consegue mobilizar uma parte do eleitorado, a estratégia foi “aguentá-lo” como candidato, até à linha de arranque. No entanto, a colagem a Lula prejudicou seriamente Haddad, pois não teve espaço para caminhar e foi lançado aos leões, ou melhor, a Bolsonaro.

O candidato, que ficou em terceiro lugar na primeira volta, Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), pode votar até em Haddad, na segunda volta, mas, infelizmente, vê-se uma onda de vitória com Bolsonaro que, muito dificilmente, conseguirá ser travada.